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10 de mai. de 2011

A Verdade está lá fora (e lá em cima)



Saiu na BBC, mas achei o vídeo em uma resolução melhor aqui

Trata-se de uma obra-prima do fotógrafo norueguês Terje Sorgjerd, cujo vídeo foi filmado entre 4 e 11 de abril na montanha espanhola de El Teide - a mais alta do país. Eu não sabia, mas este é um dos melhores lugares para se observar o espaço. Ele utilizou a tecnologia timelapse, que acelera o tempo e produz imagens belíssimas. É também uma eficiente campanha turística para o local, e o melhor: viral e espontânea. Imperdível!






28 de nov. de 2010

Futuro do presente x Futuro do pretérito


- Ah, aí está você de novo...não pense que não sei que me observa há dias.
- Tenho estado ao seu lado já há algum tempo.
- Por que não a toma de uma vez??!
- Não cabe a mim decidir.
- Mas gosta de me ver aqui!...moribundo, esquálido...fraco demais...
- Sim, não nego...mas não faz parte da minha natureza, ao contrário do que os homens pensam. Tendo a ser neutro em todas estas ocasiões, apenas aguardando ordens. Observo, ou melhor, contemplo, porque sempre me faz relembrar a lição máter que os homens esquecem no decorrer de suas vidas.
- Hmm...e qual seria?
- A de que vocês são milagres vivos - energia abundante, sempre num ciclo latente . Seres capazes de proceder uma revolução benéfica para si mesmos. Todavia, sempre vejo como reverberam até o último instante e, ironicamente, apenas nos minutos finais parecem atingir a compreensão.
- Compreensão de quê?!
- De que até o último suspiro, é possível extrair alguma coisa. Mais do que isso: por vezes, vocês aprendem mais nos útimos momentos do que em toda a sua jornada. Neste mundo, a dor anda de mãos dadas com a sabedoria. Se pulsa vida por suas veias, procure entender, como eu, que cada respiração dada pode ser um ofício que se depreende da mais pura arte da reflexão.
- Parece-me irônico que só reflitamos sobre isso no ocaso de nossas vidas...
- Sim. Posso sentir sua mente fervilhando milhares de ideias. Sobre seu passado e futuro. Já o presente...você parece pensar pouco no presente.
- Isso causa estranheza a você?'
- Ao contrário. É normal, em momentos como este. Você, como muitos que visitei, está com medo...medo do desconhecido, do que vem pela frente; medo das tolices que cometeu. E no entanto, apenas o seu pensamento no agora poderia libertá-lo.
- Rá! Se isso fosse verdade, não estaria recebendo sua visita há dias!!
- Está vendo a questão por apenas um ângulo. Acabo de lhe dizer que momentos finais são preciosos. O grito pela perpetuidade nos faz desejar o que não pudemos alcançar, de uma maneira ou de outra. Todas as células do seu corpo neste momento gritam, se debatem, lutam para seguir adiante. Sempre há possibilidade de se fazer algo grandioso, intenso...até que os olhos se fechem, até o final. A mente quer isso - está consciente (talvez pela primeira vez), desperta, mas desta vez é o corpo quem está fraco. Durante toda a sua vida, foi justamente o contrário.
- Bingo, maldita!! Que diabos espera que eu faça, atado aqui neste leito?? Como posso me concentrar no presente, se não consigo sequer comer sem ajuda??! Já percebeu como defeco aqui, deitado? É apenas outra ironia, assim como você! Por que não posso me ir? Esqueça as ordens!! Estou há quase três meses agonizando! Para quê, eu me pergunto?
- Já disse o porquê... a dor é sua professora, e no entanto, você a encara como se um aluno rebelde fosse, não como um discípulo que deseja superar seu mestre. Olhe ao lado...há várias outras pessoas sofrendo tanto ou mais do que você. Cada uma delas tem o poder de escolher ser um bom ou mau aluno.
- Que diferença isso faz?! No fim, o resultado é o mesmo!!
- Faz toda a diferença, ainda mais perto do fim. Há duas questões que você deveria se fazer: qual fim? E quando será o fim? De qualquer maneira, você sabe que estou aqui. E no entanto, há um "senão". Ele repousa, essencialmente, no fato de suportar o que for preciso para libertar-se dos ditames do que foi e do que poderia ser. Tal decisão acontece aqui, neste momento...na fronteira e no giro dos minutos e segundos e o que eles deixarão escritos para o futuro.
- Supondo que esteja certa...mesmo assim, você continuaria a me visitar?
- Sim, mas seria diferente.
- Diferente como?
- Não importa quanto tempo eu levasse para visitá-lo novamente, você certamente me receberia de braços abertos e com um sorriso, pra variar.
- ...E...o q-que...o que... eu encontraria?... No fim?
- Paz.

17 de set. de 2010

Certo por linhas tortas?




Escutei essa estória hoje, é real e compartilho.

Frustrada por não ter filhos do gênero feminino, uma jovem mãe decide, então, adotar. Para facilitar o entendimento do causo, vamos dar-lhe um nome fictício: Elaine*. No decorrer do processo, ela conheceu duas gêmeas, com idade de mais ou menos 8 meses, disponíveis para adoção. Os bebês eram esqueléticos, com peso de recém-nascidos (mais ou menos 4 kg) e várias complicações resultantes do fato de que tanto pai quanto mãe eram - ou são, não saberia dizer se ainda estão vivos - viciados em drogas. A mãe, de 22 anos, inclusive já abortara algumas vezes antes. Imagine-se como foi o pré-natal (ou prénatal? essas regras gramaticais novas enchem o saco...) dessas crianças.

Pois bem. O que chama a atenção, em primeiro lugar, é que Elaine bateu o  pé e afirmou que só adotaria se pudesse levar ambas. Muitos juízes recomendam justamente este processo, para que não sejam separados irmãos de sangue, sendo também, em muitos casos, um entrave à adoção por candidatos que querem apenas uma criança (não vou entrar aqui no mérito sobre quem tem  razão, a lei ou candidatos à adoção). As pessoas responsáveis informaram que uma das gêmeas já havia sido internada algumas vezes, e que deveria voltar novamente ao hospital, com sério risco de vida. A outra irmã, por outro lado, era aparentemente saudável. Elaine não quis saber. Disse que adotaria ambas: “Levem-na para o hospital, cuidem dela, mas eu não abro mão de ter as duas”.

Condição exigida, condição atendida...vejam como Deus faz as coisas...não é que a menina passou pelos cuidados médicos e conseguiu sobreviver após o tratamento? Hoje, ela tem 5 anos de idade, e é uma criança com vida normal. Mas, por um desses desígnios que o Pai Celestial nos coloca, a irmãzinha considerada mais saudável não resistiu e, não muito tempo depois, veio a falecer. Elaine, com a ajuda do irmão, bancou todas as despesas do sepultamento.

Teria ficado sem nenhuma, caso não tivesse brigado para ter as duas.